A gente sabe que o "doping" vem desde os tempos mais remotos,
mas especialmente passou a ficar mais conhecido no tempo da chamada "guerra
fria" onde as enormes nadadoras da Alemanha Oriental ganhavam todas as
competições servindo como propaganda do regime político.
A partir daí, começaram as suspeitas de que as vitórias eram
ilícitas com ajuda da Medicina e da química laboratorial, e o mundo inteiro,
liderado pelos americanos, criou o exame antidoping, fazendo disso também uma
propaganda do suposto jogo limpo. "Eles", os americanos, são muito bonzinhos.
Querem controlar tudo e não fazem a menor cerimônia em exercer influência
dominante.
Parece que o "tiro saiu pela culatra". Os casos de doping se
multiplicaram no mundo inteiro, inclusive entre os americanos, mas estes, sempre
que podem influenciam, "tapando sol com a peneira".
Em 1987, quando Ben Johnson bateu o novo recorde dos 100
metros, os dirigentes canadenses respiraram aliviados quando o atleta passou no
teste antidoping. Daí em diante começou uma caçada implacável ao homem que era
uma ameaça ao reinado americano de Carl Lewis, da mesma forma como a alemã
Katrin Krabbe, punida em 1992, ameaçava a americana Florence Grifth Joyner,
recordista Mundial dos 200 metros, cujos traços musculares aviltaram os olhos de
todos e, passou no teste antidoping. Um escândalo!
Perguntar não ofende, mas cala! Se Ben Johnson fosse americano
seria punido?
A guerra do doping fica cada vez mais sofisticada. O COI e a
Wada (Agência Mundial Antidoping) de um lado tentando desesperadamente coibir e
do outro, os laboratórios criando novas formas de dopagem que não sejam
detectadas pelos testes.
Já ouviram falar em Senhores dos Anéis? Não, não estou falando
do clássico de J.J. Tolkien das telas do cinema e sim do livro de autoria de
dois jornalistas ingleses, Vyv Simson e Andrew Sennings, lançado em 1992. Eles
relataram ao mundo quem eram as pessoas, na época, que controlavam o esporte e
qual o destino dos milhões de dólares por ele gerado. O livro mostra como o
marketing das multinacionais transformou a pureza do esporte em um mundo
sombrio, antidemocrático e cheio de drogas. Como não poderia deixar de ser,
esses jornalistas passaram a ser perseguidos pelo poder americano e os direitos
do livro comprados pelo COI e o livro sumiu. Quem comprou, comprou. Eu fui um
deles.
Voltando ao cerne da questão, a publicidade do exame
antidoping, acabou passando por cima dos direitos mais sagrados do cidadão;
especialmente do atleta. Todos são inocentes até que se prove o contrário. Cabe
a quem acusa o ônus da prova, mas não é isso que acontece.
Os americanos que supostamente exercem influência na Justiça
Desportiva e nos Comitês Internacionais, se apressam em escancarar na imprensa e
na Internet os resultados dos ainda "suspeitos", prejudicando a imagem do
atleta, fase que ainda deveria correr em "segredo de justiça" preservando a
integridade do "acusado". Acusado ainda não é culpado, e suspeito muito menos.
Resultado. Se o atleta for absolvido, além do estrago da
carreira ainda sofre pressão para não processar quem o acusou por perdas e
danos. Mais um direito ferido.
Infelizmente o poder é assim e começa nas coisas mais simples.
Lembro na minha infância de uma pelada perto de casa, que o dono da bola que era
um tremendo "perna de pau", tinha que jogar e o time que estivesse com ele se
desdobrar para cobrir as falhas dele se quisesse ganhar o jogo. O dono da bola
ainda levava fama de um "cara legal" porque ninguém por ali tinha uma bola boa.
Não é muito diferente da propaganda moderna. O patrocinador quer resultado. Não
interessa como, mas quando "o circo pega fogo" ele cai fora dando uma de
bonzinho e deixando o atleta numa fria "pagando o pato" sozinho. Cúmplices
ilesos.
Recentemente o Brasil acompanhou o caso da Rebeca Gusmão que
acabou sendo punida, mas enquanto era apenas suspeita sua carreira já tinha sido
detonada.
Não entra na minha cabeça um atleta dopado sem a cumplicidade
de um "monte de gente". Se ela fosse americana ou se a sua punição ferisse os
interesses políticos talvez o desfecho fosse diferente. Vamos ver como será em
Pequim. Estão anunciando tolerância zero ao doping!
Para Refletir: Demonstre suas emoções. Se não ganhar nada
com isso, também não perde nada, mas fica de bem com sua alma.
Sobre a Ética – O comportamento e opinião pessoal devem ser coerentes com
a expectativa da classe e da sociedade. Não decepcione as pessoas e seja
verdadeiro.